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Ciência
Publicado em 11 de fev. de 2022 · Atualizado em 11 de fev. de 2022 · Leitura: 0 min
por Júlia Rodrigues

Ganhadora do 3° Prêmio Carolina Bori Mulher&Ciência na categoria Humanidades foi a primeira mulher negra reitora de uma universidade federal no país e é referência nos estudos sobre a questão racial e educação.

Hoje (11), às 10h30, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) realiza a cerimônia de entrega do 3° Prêmio “Carolina Bori Ciência&Mulher”. Nesta edição, foi contemplada a categoria Mulheres Cientistas, dedicada às pesquisadoras de instituições nacionais que tenham contribuído de forma relevante para a ciência e a gestão científica, além de terem realizado ações em prol da ciência e da tecnologia nacional.  As vencedoras em 2022 foram: Gulnar Azevedo e Silva, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), na área de Ciências Biológicas e da Saúde; Beatriz Leonor Silveira Barbuy, da Universidade de São Paulo (USP), nas Engenharias, Exatas e Ciências da Terra; e a pesquisadora mineira Nilma Lino Gomes, da UFMG, na categoria Humanidades.

Para Nilma Gomes, receber essa homenagem significa o reconhecimento de uma trajetória pessoal, profissional e acadêmica que nunca se deu de uma forma individualizada, mas que envolve uma construção ancestral e coletiva.

“Ainda somos muito poucas mulheres negras nas Ciências. Receber o Prêmio “Carolina Bori Ciência&Mulher”, sendo uma mulher negra e cientista, tem um significado político muito especial na luta pela emancipação da mulher na sociedade, nas ciências e em prol do antirracismo. O prêmio revela que nós, mulheres e mulheres negras, produzimos um conhecimento que não é só academicamente relevante, mas, também, social, cultural e politicamente relevante. É o compromisso com a construção da sociedade e das Ciências Humanas de forma mais democrática, indagando e se contrapondo a presença do racismo, do machismo e da LGBTQUIA+fobia no campo científico e na sociedade”, diz.

Sua produção científica é extensa, com mais de 11 livros publicados. Os trabalhos realizados pela pesquisadora tensionam as discussões sobre as relações étnico-raciais e educação, desigualdades sociais e raciais, com ênfase na atuação do movimento negro.

Conheça um pouco mais sobre a carreira e as pesquisas da professora da UFMG

TRAJETÓRIA
A trajetória de Nilma Gomes na academia iniciou-se na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde se formou em Pedagogia e onde também realizou seu Mestrado em Educação. É doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorados em Sociologia na Universidade de Coimbra e em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR).

Foi Coordenadora Geral do Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Ações Afirmativas na UFMG de 2002 a 2013, no qual é, atualmente, integrante da equipe de pesquisadores. Foi neste período em que Nilma Gomes criou o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Étnico-Raciais e Ações Afirmativas na UFMG. Entre 2010 e 2014, a pesquisadora fez parte da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. Foi a primeira mulher negra reitora em uma universidade federal no País ao ser nomeada para o cargo Pró-Tempore da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) nos anos de 2013 e 2014.

Em 2015, foi Ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial- SEPPIR (2015) e do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos nos anos de 2015 e 2016 durante o governo de Dilma Roussef. Em 2019, recebeu da UFMG o título de Professora Emérita da Faculdade de Educação. Atualmente, é professora voluntária vinculada ao Departamento de Administração Escolar (DAE/FAE/UFMG) e membro da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação (ANPED), da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN). 

PARCERIAS
Dentre outros, a pesquisadora mineira está envolvida no projeto “Transnacionalismo e proposta curricular para a educação das relações étnico-raciais e da diferença de ensino”, coordenado pela professora Anete Abramowicz (USP/UFSCAR). Trata-se de um grupo de pesquisadoras que há algum tempo desenvolvem pesquisas em parceria com o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal de São Carlos e com o Grupo de Pesquisa: estudos sobre a criança, a infância e a educação infantil: políticas e práticas da diferença, e com outras/os pesquisadoras/es que também compõem a equipe.

A iniciativa pretende criar uma rede transnacional de investigação entre pesquisadores e pesquisadoras brasileiros, em parceria com instituições internacionais. Busca-se entender como as universidades parceiras têm investigado a temática das relações étnico-raciais e como esta questão aparece na educação básica, ensino médio e ensino superior em diferentes países.

A ideia é articular experiências locais e internacionais dos pesquisadores/as do tema a fim de socializar esse resultado não somente para o campo da educação, mas para todas as pessoas que se interessam pela temática. “… estamos construindo um portal na internet com um conjunto de documentos, vídeos e pesquisas das investigadoras, construídos no decorrer da pesquisa, a fim de socializar os resultados para um público mais amplo”, anuncia.

Atualmente, Nilma Gomes tem trabalhado também na construção de uma Cátedra de Educação e Relações Étnico Raciais. A iniciativa visa articular vários projetos de educação voltados para o tema e que tenham uma perspectiva emancipatória do conhecimento, de educação e de relações étnico-raciais na UFMG. “A ideia é organizar o que temos de potencial e construir um eixo condutor que possa agregar os mais variados trabalhos. Um ponto desafiador é o financiamento dessa experiência. Vivemos um tempo em que a Educação, as Ciências e as Tecnologias sofrem ataques e retrocessos profundos e uma redução orçamentária sem limites”.

DIVERSIDADE NA CIÊNCIA
Na opinião de Nilma Gomes, o campo das Ciências no Brasil, sociedade multiétnica e multirracial, deveria ter como característica central a presença dessa diversidade de sujeitos e dos seus conhecimentos. “Em uma perspectiva democrática de Ciências, esses conhecimentos deveriam ser produzidos junto com os sujeitos e não para ou sobre esses sujeitos”, pontua.

No ano passado, juntamente com Edmilson dos Santos, Givânia da Silva e Ronaldo Barros, publicou o artigo “Racismo Institucional e Contratação de Docentes nas Universidades Brasileiras” (disponível aqui). Os autores questionaram-se sobre a diversidade de classe, raça, gênero, diversidade sexual na Universidade, em que áreas e cursos está presente, e se após as Ações Afirmativas (como a política de cotas) alcançou o corpo discente e docente.

A pesquisadora explica que as instituições continuam sendo majoritariamente monocromáticas e produzem uma inércia racial em determinadas áreas e cursos, “Os dados mostram uma movimentação muito fraca das instituições federais do ensino superior na construção de condições para a implementação da Lei 12.990/14, cotas raciais nos concursos públicos federais. Podemos dizer que, ao não construir as condições necessárias para a implementação da Lei, as Universidades acabam por burlar a legislação, impedem a entrada de maior diversidade étnico-racial no corpo docente e reproduzem o racismo institucional”.

Para ela, a discussão da diversidade étnico-racial questiona as Ciências e o Ensino Superior, “insta-os a se renovarem e se democratizarem, interna e externamente. Por isso, ela é tão necessária para a construção de um conhecimento emancipatório e jamais poderia ser negada”, finaliza.

Cerimônia de premiação Prêmio Carolina Bori Mulher&Ciência 
11/2/2022, às 10h30
Transmissão pelo canal da SPBC no Youtube


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